A ferro e a fogo – por Jessé Souza

Por Jessé Souza *
Embora Polícia Federal esteja de parabéns pela atuação contra crimes eleitorais em Roraima, os grandes esquemas continuaram ocorrendo, decidindo a eleição e reeleição de muitos. Porém, a ação policial serviu como alento de que Roraima pode ser desratizado, se houver vontade política e apoio da sociedade.

O segundo turno está vindo aí e a campanha eleitoral já está na rua. A grande preocupação é se o Ministério da Justiça vai determinar (e apoiar) que a PF continue vigilante contra os grandes esquemas de compra de voto.

Nesse momento importante para fortalecimento da democracia e dos poderes constituídos locais, a força policial precisa ser mantida e fortalecida nesse segundo turno, o qual vai decidir o futuro governador que irá administrar Roraima nos próximos quatro anos.

O Estado não pode mais continuar sendo curral dos grandes esquemas que sempre foram responsáveis para manter no poder os coronéis de sempre. Eles implantaram aqui um grande comércio eleitoral e ainda fizeram com que a opinião pública acreditasse que a culpa é exclusivamente do eleitor.

Já fizeram o povo acreditar que o problema de Roraima eram os índios. Incutiram na cabeça das pessoas que renovação é um perigo. Criaram mitos de que eles são “grandes trazedores de recursos insubstituíveis”. E agora fixaram na mente do povo de que a culpa é dele mesmo, por ser “vendilhão”, “corruptível” e “gatuno”.

É a velha inversão que eles criaram para os livrar das culpas e os inocentar da responsabilidade pelas grandes safadezas instaladas por aqui, as quais tornaram o eleitor refém da política corrupta que se estabeleceu.

Tanto conseguiram fixar essa alma de vendilhão no povo que muitas pessoas fecham os olhos para a corrupção, muitas vezes achando que essa prática está enraizada nas pessoas e não tem jeito. Quem eles não conseguem convencer ou cooptar com algumas benesses, compram com migalhas que caem de seus banquetes.

É por isso que esta terra precisa que as instituições façam a desratização e a faxina moral, porque o povo está sem forças para reagir e até mesmo para enxergar o lamaçal onde foram construídas suas casas. E os que resistem – e não se vendem – são tratados a ferro e a fogo.

Roraima precisa muito do trabalho árduo da Polícia Federal para começar a se livrar das mãos dos coronéis e dos mitos que anestesiam o eleitor.  O Ministério da Justiça não pode lavar as mãos nesse momento decisivo para o futuro desse Estado. É agora que se começa a combater as práticas danosas na política ou nunca conseguiremos nos livrar do açoite dos coronéis e de seus capatazes.

Jornalista do Jornal Folha de Boa Vista*

fonte: Folhabv

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