O buraco e o ouro – por Jessé Souza


Prestemos bem atenção ao que está ocorrendo na disputa pela Femact, a fundação criada para cuidar do meio ambiente. Na ótica dos que defendem a política do “avançar a qualquer custo”, a atual gestora daquela entidade “atrapalha o desenvolvimento do Estado”.

Sabemos o que acontece quando grandes produtores se colocam contra órgãos e entidades ambientais. Eles querem mais liberdade para avançar suas fronteiras sem respeitar o meio ambiente, querem alargar os limites de suas propriedades para aumentar seus lucros e fortalecer seus negócios.

Inebriado pelo discurso desenvolvimentista dos grandes produtores, que sabem disfarçar bem seus interesses, o povo acaba acreditando que o agronegócio só quer o bem da população. Porém, gerar riquezas não pode significar desrespeitar o meio ambiente, o grande patrimônio necessário para a sobrevivência do Planeta.
O agronegócio não existe sem que haja dinheiro público. Ele só sobrevive com grandes incentivos, os quais nunca são devolvidos aos cofres públicos e em forma de geração de emprego e riqueza para o povo. Enche os bolsos de poucos.

Além de o agronegócio ser um voraz consumidor de recursos públicos, ele também não gosta de respeitar meio ambiente, pois os que gerenciam o grande capital não gostam de falar de fronteiras, de preservação, de leis restritivas e de agricultura familiar.

Por que os arrozeiros não foram para a Guiana? Por que lá o governo não abre os cofres públicos para o agronegócio; quem quiser plantar, tem que investir do próprio bolso e obedecer a leis pesadas que são impostas pela Rainha.

Por que não foram para a Venezuela? Porque lá, se não andar na linha, se não respeitar o governo, eles estatizam, eles impõem regras e ordens. E não há dinheiro governamental tão farto assim para encher os bolsos como no Brasil.

Em Roraima, basta chegar, montar acampamento, pegar dinheiro dos governos, pregar o discurso de que está ajudando a desenvolver o Estado e encher os bolsos. E ainda confundir a opinião pública com o discurso de que o interesse do agronegócio é também o interesse do povo.

Um dos grandes empecilhos para impedir a sanha desse avanço, com pouco retorno ao povo, é a fiscalização de órgãos ambientais, são as leis que obrigam a cumprir preservação ambiental. Eliminando isso, o rigor ambiental, fica mais fácil avançar no projeto de “desenvolver a qualquer custo”.

Quando a opinião pública se deparar com uma queda de braço entre grandes produtores e órgãos ambientais, pode ter certeza: ali está uma briga por interesse empresarial, sem pensar em consequências ambientais e econômicas futuras.

Porque o grande capital nem tem pátria. A pátria do agronegócio é o dinheiro. Quando os recursos cessarem e não houver para onde mais avançar, eles vão embora e nos deixam com os passivos ambientais e de empréstimos públicos nunca honrados como deveriam. Vamos ficar com os buracos,e eles vão embora com o ouro.

*Jessé Souza é Roraimense, Jornalista e ativista.

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