Número de estupros em Roraima cresce 46% em dois anos

 

Foto: Arquivo

BOA V ISTA – Dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) revelam um crescimento de 46,3% no número de estupros em Roraima nos últimos dois anos. As maiores vítimas são crianças e adolescentes de ambos os sexos. Em 2008, o número de ocorrências chegou a 123, enquanto que no ano seguinte saltou para 180, um aumento de 57 ocorrências.

No primeiro semestre deste ano, segundo as estatísticas, os crimes de violência sexual já somam 123 ocorrências (20,5%), a mesma quantidade registrada durante todo o ano de 2008. Com relação às tentativas de estupro, houve uma redução de cinco casos entre os anos 2008 e 2009.

Para se ter uma ideia, em 2008 somente as tentativas de estupro em Roraima somavam 48 casos, número que caiu para 43 no ano seguinte, uma diminuição de 10,4% no número de abusos. Já nos primeiros seis meses deste ano, as tentativas já acumulam 24 ocorrências, o equivalente a 4,0% dos casos não consolidados pelos abusadores.

Para a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Maria Aparecida Fernandes Tavares, os abusadores sexuais ficam entre parentes e amigos próximos, ou seja, pessoas em quem a criança ou adolescente confia. “Hoje nós vivemos num perfil social muito triste, em que os maiores infratores desse bárbaro crime [abuso sexual] são as famílias”, disse a delegada.

A delegada afirmou que, ao se sentir protegida, aquela criança ou adolescente confia em sair sozinha para passear ou até mesmo dividir o quarto com a pessoa que não tem para com aquela criança ou adolescente o sentimento de respeito.

Ele ressaltou que acabou o mito de que abuso ocorre apenas com meninas. “Os meninos também são conquistados e abusados. O desejo do adolescente é instigado pelo infrator, que se aproveita dessas fraquezas”, frisou.

Segundo a delegada, a vida moderna leva pai e mãe a trabalharem fora, mas eles precisam tirar um tempo para observar o comportamento da criança. “Somente assim podemos diagnosticar o que está acontecendo, se alguma pessoa querida nossa está sendo violentada. Precisamos conscientizá-las em casa, conversar bastante com elas”, disse.

Conforma Aparecida, os pais precisam observar a conduta dos filhos, dizer que não devem aceitar determinados comportamentos, por mais que sejam amigos, tio, avô, padrinho ou até o próprio pai, para que a criança ou adolescente, que são as maiores vítimas, passem a ter uma visão de limites entre um carinho de boa-fé e o malicioso.

A delegada acredita que não aumentou o número de infratores, mas o quantitativo de casos registrados, o que ela atribui à credibilidade da punição, uma vez que o ordenamento jurídico passou por uma reforma. O que antes era apenas uma presunção de violência (estupro presumido), agora passou a ser estupro de vulnerável, em que a presunção de violência passa a ser, em tese, absoluta e não mais relativa.

“Tivemos a glória de que nessa reforma foi abolida a história da vontade do representante da vítima. Hoje, se for diagnosticado um abuso, pouco importa se os pais ou responsáveis digam ‘eu quero que a ação penal seja impetrada’, pois ela vai ser impetrada mesmo sem a representação criminal. É um direito da criança ou adolescente. A ação penal passou a ser incondicionada, um avanço que nos leva ao aumento no número de denúncias”, explicou.

Saiba onde e como denunciar abusos sexuais

Segundo a delegada de Defesa da Mulher, Maria Aparecida Fernandes, Tavares, há uma rede muita ampla de denúncias. As denúncias podem ser feitas através do telefone 0800 95 1000, Conselho Tutelar, Delegacia de Defesa da Mulher e Ministério Público Estadual, além do Disque 100, que é nacional.

Em qualquer um desses segmentos a vítima pode ser atendida. Mas, mesmo assim, será encaminhada para a Delegacia de Defesa da Mulher para dar início à investigação criminal. A partir daí é aberto inquérito que posteriormente é encaminhado para o Judiciário julgar.

Fonte: Portal Amazônia com informações da Folha Web

 

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