Fora do páreo – Desgastado por denúncias de compra de votos, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), desistiu da candidatura à presidência do Senado

JOÃO BOSCO RABELLO – O Estado de S.Paulo

Excluído do núcleo decisório da campanha de Dilma Rousseff, apesar de ter garantido como principal aliado o maior tempo de propaganda para a candidata, o PMDB opera intensamente para deixar o papel de mero coadjuvante na aliança governista em 2011.

A palavra de ordem é não fazer marola, especialmente no contexto de um segundo turno disputado, que nas previsões internas dará a um ou a outro candidato uma vitória necessariamente apertada. Mas a primeira fatura pelo bom comportamento de hoje será apresentada na forma de candidaturas às presidências da Câmara e do Senado, das quais o partido está decidido a não abrir mão. Aliados hoje, os dois gigantes partidários serão adversários no primeiro momento do futuro Congresso.

Com menos beligerância, a ideia é a mesma em caso de vitória de José Serra. O PMDB sabe que é decisivo para qualquer governo, o que o retirou da oposição desde o fim do regime militar. É governo em qualquer circunstância, embora uma eventual derrota imponha algum esforço de renegociação com o adversário eleitoral de ontem.

Reeleitos, os senadores Renan Calheiros (AL) e Edison Lobão (MA) são os candidatos do partido, este último com o trunfo de reduzir os danos da briga com o PT, pela ótima relação construída com Dilma Rousseff durante o governo Lula. Também candidato a um ministério se Dilma for eleita, Lobão pode abrir espaço para o senador Eunício de Oliveira (CE) disputar com Renan.

Fora do páreo

Desgastado por denúncias de compra de votos, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), desistiu da candidatura à presidência do Senado e passou a apoiar o colega maranhense de partido, Edison Lobão. No último dia 1º, antevéspera da eleição, a Polícia Federal apreendeu, em Boa Vista, capital de Roraima, R$ 100 mil jogados de um carro que tinha acabado de sair do escritório de Jucá. O senador reeleito foi parar na delegacia e o episódio continua sendo investigado.

Bom para Sarney

Lobão também é solução para o atual presidente da Casa, José Sarney, que não deve concorrer à reeleição. Não é a primeira vez que Sarney se declara fora da disputa, como o fez em 2008, mas agora, aos 80 anos, com a saúde debilitada após uma longa internação e uma cirurgia, está vetado pela família. Através do aliado de sempre, Sarney pode manter-se no poder sem o cargo, garantindo os bônus sem os ônus. Além disso, pela sua origem no PFL, hoje DEM, Lobão tem bom trânsito junto à oposição, o que reforça sua indicação pelo PMDB para o cargo. Gol contra

Desmentidas pelos fatos, as declarações de Lula contra Serra, a quem acusou de forjar uma agressão, são agora avaliadas negativamente pelo PT. Reservadamente, integrantes da campanha de Dilma Rousseff acham que a manifestação da candidata repudiando violência na campanha era suficiente para marcar posição. Concluíram que Lula deve evitar qualquer declaração que não seja extremamente necessária para a campanha.

Dias contados

É grande o descontentamento do presidente Lula com a área de informações do governo, principalmente com o Gabinete de Segurança Institucional, e com o ministro-general Jorge Félix. Ele avalia que o GSI não foi preventivo nos escândalos do governo e nem eficiente para administrar crises na sua órbita de ação. Como a oposição acha o mesmo, tudo deve mudar na área em 2011.

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