Roteiro de Férias – Bolívia por Beto Bellini

Viajar, ah, viajar! Este deveria ser um dos poucos verbos imperativos para o ser humano,pois não existe nenhuma outra experiência na vida, que seja equivalente à sensação de botaros pés na estrada, a mochila nas costas e encarar algum destino neste planeta tão cheio debelezas e mistérios chamado Terra. Eu, aventureiro e viajante de carteirinha, descobri esteprazer desde os seis anos de idade, e confesso que não consigo mais pensar em mim comoum ser completo, sem tudo o que meus olhos viram e minha alma experimentou em todasas viagens que fiz até aqui. A partir de hoje, espero poder dividir aqui com vocês um poucodas minhas perambulações por esse mundão de Deus, e deixar algumas dicas de lugares bembacanas para se conhecer.

Bolívia

Bolívia

Minha viagem para lá, foi em 2003, quando eu ainda morava em Manaus. Eu já havia viajado à Europa duas vezes (prometo que conto isso depois) e estava procurando destinos mais acessíveis e não menos interessantes. Um dia, pesquisando na internet, percebei que o meu lado “Indiana Jones”, me agradeceria para sempre por ter feito uma viagem à Bolívia.

Bom, antes de qualquer outra coisa, na Bolívia não procure por luxo. Luxo não é um privilégio de um dos menores e mais pobres países da América do Sul. Antes, procure por muita história, cultura, aventura e mistérios ainda hoje não-desvendados. Eu garanto que você ficará surpreso.

O meu roteiro começou no Google, tentando descobrir a melhor forma de entrar em nossopaís vizinho.

Por via terrestre, você tem opções através de uma das cidades fronteiriças brasileiras, como Brasiléia e Epitaciolândia, no Acre(AC), que dão acesso à cidade boliviana de Cobija. Outra opção, é via Guajará Mirim(RO), entrando na Bolívia por Guayaramerin. Mas, talvez a forma mais indicada por via terrestre seja saindo de Corumbá(MS), pegando um táxi até a fronteira e chegando na cidade boliviana de Quijarro, onde você pode curtir uma viagem de 17 horas no famoso “Trem da Morte”, com destino a Santa Cruz de La Sierra. Mas atenção: todos os sites recomendam que você escolha um bilhete na classe Super Pulmman, que apesar de mais caro, garante mais conforto e segurança para uma viagem tão longa.

“Minha primeira imagem arquivada na memória, foi amanhecer sobrevoando a Cordilheira doAndes. Uma paisagem bem diferente do grande tapete verde da Floresta Amazônica”

Por via aérea, que foi a minha opção, lembro que paguei cerca de R$ 1.300,00 por uma viagem internacional, saindo de Manaus até La Paz, na Bolívia, voltando de Lima, no Peru. O vôo daLloyd Aereo Boliviano foi muito tranquilo. Ou seja, muitas vezes é mais barato sair do Brasil,do que viajar dentro dele. Requisitos? Passaporte e carteirinha amarela de vacinação em dia. Não precisa de visto. Se não me engano, a LAB tem vôos regulares de Manaus para La Paz, comconexão em Santa Cruz de La Sierra, saindo todas as quintas e sábados, 3:40h da manhã.

Foto: B.Bellini

Minha primeira imagem arquivada na memória, foi amanhecer sobrevoando a Cordilheira doAndes. Uma paisagem bem diferente do grande tapete verde da Floresta Amazônica com queeu estava tão acostumado. Do alto, a Bolívia parece ser outro mundo, outro planeta. Desérticoe gelado, mas muito impressionante. A escala no aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz, faz vocêlembrar que esta é a última etapa onde pode respirar confortavelmente o oxigênio a apenas439m ao nível do mar. Depois daqui, o próximo aeroporto é El Alto, que faz juz ao nome, ficando a incríveis 4061.5m de altitude. Ótima hora de lembrar que, ao viajar para um paíscom um relevo muito acima do nível do mar, estamos sujeitos a um período de adaptação do corpo, que sofre um bocado com o ar rarefeito.

(ver http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/altitudes/index.shtml)
De Santa Cruz para La Paz, a paisagem só fica mais e mais branca e linda, com o gelo doscumes da Cordilheira dos Andes refletindo a luz do sol. É de encher os olhos. Não desgrudei da janela do avião nem por um minuto.
El Alto, onde fica o aeroporto de La Paz, é uma cidade de um milhão de habitantes. Muita pobreza e miséria. Nada diferente do que vemos nas favelas Brasil a fora. O quadro nos permite ter a exata consciência de que vivemos em condições excepcionais, ainda que a gente insista em ficar reclamando todo santo dia.
Descendo para La Paz numa das vans que fazem condução, você terá uma idéia muito precisa do que estou falando. Fique atento à janela. Gente pedindo, gente andando, gente trabalhando, gente, gente, gente… Muita gente.

Foto: arquivo do autor

A cidade de La Paz fica encrustrada num vale, rodeada pela Cordilheira dos Andes. Logo, é uma cidade com geografia peculiar, repleta de bairros em lugares elevados e grandes avenidas naparte mais baixa. Tem uma boa infra-estrutura hoteleira com opções para todos os gostos. Gasta-se pouco, em geral. Principalmente, devido à grande desvalorização da moeda Boliviano(Bs), em relação ao Dólar.

Vale conhecer a cidade, caminhar por suas avenidas e parques, tomar seus táxis, conhecer sua culinária, seus grandes monumentos e arquitetura. Vale muito ir ao Mercado de Las Brujas e ver seus produtos incomuns de oferenda à “Pachamama”(Deusa Terra), depois, logo ao lado,visitar a Iglesia de San Francisco. Vale ficar ofegante a cada ladeira ou degrau que sugam suasforças por causa da altitude. Em La Paz, vale entrar no clima e gastar alguns trocados com asmantas, ponchos e gorros super coloridos e feitos com lã de Alpaca. Turista brasileiro é sempre muito bem recebido e reverenciado, ainda assim, numa cidade tão populosa e movimentada, é sempre bom ficar de olho com os gatunos de plantão.

“Hoje, entretanto, devidoàs mudanças climáticas que o nosso planeta vem sofrendo, me parece que não se pratica mais o esqui por aquelas bandas. Mesmo assim, a viagem vale muito a pena.”

Quando você tiver conhecido e desfrutado toda essência urbana de La Paz, com sua mistura entre o legado quíchua e a colonização hispânica, é hora de pegar a estrada e rodar 30 Km rumo ao Pico Chacaltaya. A beleza da paisagem e um bom chá de folhas de coca superam todaa dificuldade para se caminhar os 200 metros que dão acesso à base da estação de esqui maisalta do mundo. Quando eu fui encontrei no cume neve até o joelho. Hoje, entretanto, devidoàs mudanças climáticas que o nosso planeta vem sofrendo, me parece que não se pratica mais o esqui por aquelas bandas. Mesmo assim, a viagem vale muito a pena.
Na volta da neve, não se esqueça de tirar as pesadas roupas de frio e passar pelo calor do Vale de La Luna, um sítio arqueológico cuja geografia realmente lembra muito a estéril superfície do nosso satélite. O lugar é sinistro e você vai conseguir ótimas fotos para trazer e mostrar aos amigos.

Foto: arquivo do autor

Depois disso, é hora de partir rumo ao sítio arqueológico da era pré-colombiana de Tiahuanaco
ou Tiwanaku, em quíchua.

Se você gosta de conhecer alguns dos grandes mistérios da humanidade, eis o lugar quevocê precisa conhecer. Em Tiahuanaco, o tempo aparentemente, parou. É quase indescritível caminhar pelas ruínas da cidade-estado ancestral que antecedeu à grande civilização Inca.
Muito já se escavou por ali e muito pouco se desvendou. Criaram-se especulações, mesmoassim, muitos mistérios ainda encontram-se totalmente indecifráveis nos dias de hoje. Tiahuanaco é repleta de portais, estelas, templos e monumentos que parecem ter sido feitospor extra-terrestres. Não deixe de conferir: o templo Kalasasaya, com suas pequenas carinhas protuberantes que nunca se repetem, com seus blocos tão perfeitamente encaixados unsnos outros que nem uma agulha pode ser introduzida entre eles, a Porta do Sol, talhada sobre um bloco único de pedra de dez toneladas, sobre o qual, especula-se ser uma espéciede calendário. Depois de conhecer todo o local e ouvir com atenção as estórias contadas pelo guia, confira também o Museo Del Sitio de Tiahuanaco que dá uma aula sobre esta que pode ser a civilização mais antiga das Américas, já que, os próprios Incas contaram aos conquistadores espanhóis, que nunca haviam conhecido o local, senão como as ruínas que lá estão.

Foto: arquivo do autor
Foto: arquivo do autor
foto: B.Bellini

Na saída, a excursão te proporciona um belo encontro com a culinária boliviana, num restaurante localizado dentro do próprio sítio arqueológico. Não custa nada experimentar umas sopinhas diferentes e também um bife da magérrima carne de alpaca, um dos primos dafamosa Lhama andina.

De volta a La Paz, que tal outra excursão imperdível? Copacabana, a cidade que deu origem ao homônimo bairro carioca. Só que esta, fica à margem do Lago Titicaca. A viagem de ônibus é uma delícia e tem muitas paisagens interessantes. A melhor parte é quando precisamos descer do ônibus e pegar um pequeno bote que nos atravessa pelo canal, enquanto o ônibus atravessa de balsa. O primeiro contato com as águas geladas, azuis e agitadas (Sim! Agitadas!) do mais alto lago do mundo, é inesquecível. Copacabana é uma pequena, mas bem arrumada,cidade e tem muito a cara de coisas. Vale a visita. Minha dica pessoal? Aproveitar a truta aomolho de laranja e simplesmente ficar parado à noite, na beira do Titicaca, observando um doscéus mais límpidos do planeta, graças à atmosfera rarefeita da altitude.

 

Foto: B.Bellini

De Copacabana parte o barco que levará você até o meio do Lago Titicaca, para a Isla Del Sol.Com área de 14,3 km² é a maior ilha do lago. Trata-se de uma ilha sagrada para os Incas. Ali seencontravam os santuários das “vírgenes del sol”, dedicado ao Deus Sol. A ilha atualmente épovoada por indígenas de origem quechua e aymara, dedicados ao artesanato e ao pastoreio,principalmente de gado ovino. Vale muito dar uma conferida nesse passeio e tirar uma fotosentado no trono (sem trocadilhos) de um rei Inca. Heheheh…
Que tal? Entendeu o que eu disse no começo sobre “ficar surpreendido com um país tão interessante” como a Bolívia? E olha que ainda tem muito mais: o Salar de Uyuni, a maior planície de sal do planeta, muitas ruínas da civilização Inca, muitas montanhas com neve na Cordilheira dos Andes, mas isso, eu deixo pra você escrever a respeito quando voltar de lá. Combinado? Até a próxima e boa viagem!

Por Beto Bellini

(Material especial para nosso Blog)

Gostaria de agradecer ao Bellini pelo empenho e esforço em escrever essa matéria para nós. Valeu !

Quem quiser seguir o bellini no Twiiter segue: http://twitter.com/betobellini ou @betobellini

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