Ministro da Agricultura nega denúncias feitas por irmão de senador governista

Oscar Jucá Neto, irmão de Romero Jucá, foi demitido da Conab e atacou o governo

 

Wagner Rossi rebateu acusações e afirmou que Jucazinho foi afastado por irregularidades


O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, rebateu neste sábado (30) as acusações feitas pelo ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) Oscar Jucá Neto em reportagem publicada pela revista Veja.

Em entrevista, Jucazinho, como é conhecido o irmão do senador Romero Jucá (PMDB-RR), contou que a estrutura do ministério é controlada por um consórcio formado entre o PMDB e o PTB com o suposto objetivo de arrecadar dinheiro. Wagner Rossi seria o virtual comandante do esquema.

Jucazinho relatou dois casos suspeitos envolvendo a Conab. Em um deles, a estatal estaria atrasando o repasse de R$ 14,9 milhões à empresa Caramuru Alimentos. O pagamento foi determinado pela Justiça e se refere a dívidas contratuais reclamadas há quase vinte anos. O motivo da demora, segundo o ex-diretor da Conab, é que representantes da estatal estariam negociando o aumento do montante a ser pago para R$ 20 milhões. Os R$ 5 milhões seriam repassados por fora a autoridades do ministério.

O segundo caso envolve a venda, em janeiro deste ano, de um terreno da Conab numa das regiões mais valorizadas de Brasília, distante menos de 2 quilômetros do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Apesar de ser uma área cobiçada, uma pequena empresa apareceu no leilão e adquiriu o imóvel pelo preço mínimo: R$ 8 milhões. O valor seria um quarto do estimado de mercado. O comprador é Hanna Massouh, amigo e vizinho do senador Gim Argello (PTB-DF).

Jucazinho, que foi demitido da Conab na semana passada por ter autorizado um pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa fantasma que já foi ligada à sua família e que hoje tem como “sócios” um pedreiro e um vendedor de carros, também contou que Rossi lhe ofereceu dinheiro quando sua situação ficou insustentável.

– Era para eu ficar quieto. Ali só tem bandido.

Em nota oficial publicada pelo ministério, Wagner Rossi negou o teor das denúncias e criticou a atitude de Jucazinho, demitido pelo ministro.

– Desde que passei a tomar medidas saneadoras e promovi mudanças administrativas, sabia do risco de desagradar pessoas e sofrer retaliações injustas. Como acontece agora. Mas isso não vai mudar minha atuação como homem de governo

Leia a íntegra da nota do Ministério da Agricultura:

“Repudio as falsas acusações atribuídas ao ex-diretor financeiro da Conab Oscar Jucá Neto em reportagem da revista Veja, neste final de semana. É lamentável que um veículo de imprensa abra suas páginas para um homem afastado do serviço público exatamente por acusações de irregularidades levantadas por esta mesma revista.

Quanto às insinuações de ilegalidades em vendas de imóveis e pagamentos de decisões judiciais, esclareço:

1. Nenhum acordo extrajudicial foi fechado durante minha gestão à frente da Conab ou do Ministério da Agricultura com qualquer empresa privada. A única exceção foi o pagamento, à minha revelia, feito justamente pelo senhor Oscar Jucá Neto. E exatamente este caso levou-me a tomar medidas, juntamente com a Advocacia Geral da União, para bloquear o pagamento na Justiça.

2. O terreno citado na reportagem, situado no Setor de Clubes Norte e de propriedade da Conab, foi vendido em leilão público. A avaliação feita pela Caixa Econômica Federal estipulou o preço do imóvel em R$ 8,030 milhões. O preço arrematado em concorrência pública foi de R$ 8,1 milhões. A alegação de que o terreno foi vendido por um quarto do valor, como aponta Veja, é infundada. Além disso, diferentemente do que informa a revista, a operação de venda do terreno não foi realizada durante a minha gestão.

3. A decisão judicial que beneficia a Caramuru Alimentos transitou em julgado em abril deste ano. Os cálculos foram determinados pela Justiça e não pela Conab. Portanto, o pagamento a ser feito respeitará a determinação do juiz e não aquilo que um diretor da Conab, qualquer que seja ele, acredite ser possível fazer. Nenhuma tentativa de antecipar este pagamento chegou a meu conhecimento. E, caso isso ocorresse, não se efetivaria.

4. Todas as informações relativas aos dois processos mencionados na reportagem foram colocadas à disposição da revista, que optou por ignorar as explicações do Ministério da Agricultura.

5. Coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento adicional sobre este caso a fim de demonstrar a transparência e lisura da minha gestão. Desde que passei a tomar medidas saneadoras e promovi mudanças administrativas, sabia do risco de desagradar pessoas e sofrer retaliações injustas. Como acontece agora. Mas isso não vai mudar minha atuação como homem de governo.

Wagner Rossi
Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”

Do R7, em Brasília

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